Perfil

Sou Maria Cristina. Fiz bacharelado e Licenciatura em Ciências Sociais, na PUC-SP, onde também fiz minha especialização em Projetos Pedagógicos com o Uso das Novas Tecnologias e o mestrado em Educação: Currículo (linha de pesquisa Novas Tecnologias e Educação). Professora da SEESP e professora universitária. O blog só tem como objetivo ampliar as discussões em sala de aula.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Um pouco de Sociologia

O que é Sociologia?
A Sociologia, considerada tanto um projeto intelectual tenso e contraditório como uma poderosa arma a serviço dos interesses dominantes, é, ainda, a expressão teórica dos movimentos revolucionários. Em períodos ditatoriais esteve proibida de ser lecionada, acusada de ser apenas um meio do marxismo e de revolucionários arregimentar seguidores. Constitui um conjunto de conceitos, de técnicas e de métodos de investigação com o objetivo de explicar a vida social produzidos no bojo das transformações sociais criadas pela nascente sociedade capitalista, por esta razão, é considerada a ciência da crise (emerge a partir de circunstâncias históricas e intelectuais e intenções práticas promovidas para compreender e propor a solução de problemas promovidos pela crise da sociedade feudal e da consolidação do modo de produção capitalista).
Portanto, é uma das manifestações do pensamento moderno, apesar de ter-se constituído após as ciências naturais, já que muitos pensadores estavam preocupados em compreender as novas situações de existência que emergiam a partir do desenvolvimento do modo de produção capitalista, que desagregava o mundo daquela época. O francês August Comte por volta de 1830, chamou a nova ciência de "Física Social", afinal, buscava conhecer os movimentos da sociedade e suas mudanças, e depois a denominou "Sociologia".
E o que transtornava os pensadores nos séculos XVIII e XIX? A sociedade capitalista colocou por terra as estruturas das instituições e costumes característicos da sociedade feudal: destruíam os pequenos artesãos, obrigava-os à forte disciplina, nova conduta e relação de trabalho até então desconhecidas e fez surgir novas formas de organização social. Entre 1780 e 1860, pequenas cidades inglesas passaram a grandes cidades produtoras e exportadoras de produtos manufaturados e fabris, atraindo grandes levas de trabalhadores e promovendo forte migração do campo para a cidade. Mulheres e crianças passaram a ser empregados e obrigados a cumprir jornadas de trabalho desumanas mas recebendo salários ínfimos. Este grupo era a maior parte da força de trabalho industrial; um verdadeiro caos se estabelecia nestas cidades, que não tinham condições para suportar o incrível crescimento: toda sorte de problemas sociais surgiu, como epidemias de tifo, cólera, vícios, prostituição, criminalidade, infanticídio.
A revolução industrial gerou o proletariado e seus efeitos para a classe trabalhadora promoveram sentimentos de revolta. O operariado destruia máquinas (ludismo), sabotavam fábricas, explodiam oficinas, haviam roubos e outros crimes. Surgiram na época entidades com o objetivo defender a classe trabalhadora, como as associações livres e sindicatos, que permitiram o diálogo de classes organizadas com os proprietários dos instrumentos de trabalho. Tais acontecimentos e as transformações sociais despertaram a necessidade investigação, entre eles, os pensadores ingleses Robert Owen (1771-1858), William Thompson (1775-1833), Jeremy Bentham (1748-1832), que eram liberais, socialistas, conservadores, e cujo debate contribuiu para para a formação e constituição de um campo de saber sobre a sociedade; Francis Bacon afirmara que “A teologia deixaria de ser a forma norteadora do pensamento: instala-se "uma dúvida metódica que possibilitasse um conhecimento objetivo da realidade”, já que o novo método de conhecimento (observação e experimentação), ampliaria infinitamente o poder do homem e deveria ser estendido e aplicado ao estudo da sociedade. Fruto do Iluminismo, o uso sistemático da razão, do livre exame da realidade, libertou o conhecimento para a formulação de uma nova atitude intelectual diante dos fenômenos da natureza e da cultura e passaram a questionar o processo histórico: se possui lógica, se pode ser compreendido.
Antes de Marx, Vico considerava que os humanos produzem a história e, portanto, a sociedade podia ser compreendida porque, ao contrário da natureza, ela é obra dos próprios homens. Por isso, surge a ideia de tratar a sociedade a partir do estudo de seus grupos e não dos indivíduos isolados; passam a investigar os vários aspectos da vida social, como a população, o comércio, a religião, a família, a moral, entre outros. Esta nova forma de pensar, influenciada pelo Iluminismo, atingiu o “homem comum”, fazendo com que este deixasse de compreender as instituições sociais e as normas como fenômenos sagrados e imutáveis, e passasse a entendê-los como produtos da ação humana e, portanto, poderiam ser conhecidos e alterados. A Revolução Francesa alçou ao poder a classe burguesa que destruiu as instituições políticas, alterou as leis, os usos, os costumes etc.
Existem várias formas de compreender o fenômeno social, em geral decorrentes de três grandes pensadores considerados a base do pensamento sociológico, e que refletem a sociedade da época em que a Sociologia surgiu, bem como a sua relação com a formação de uma sociedade dividida pelos antagonismos de classe: Auguste Comte e Emile Durkheim - positivistas, Max Weber - sociologia compreensiva e Karl Marx - materialista histórico.
Os sociólogos otimistas (conservadores e adeptos do método Positivista) pensavam a sociedade capitalista, os interesses e valores da classe dominante, como representantes do conjunto da sociedade e consideravam os conflitos entre as classes sociais passageiros.Corrente conservadora, tinham como inspiração a sociedade feudal, por isso buscavam a preservação da ordem econômica e política que estavam se estabelecendo. Seus expoentes são Auguste Comte e Emile Durkheim.
Comte considerava que a Sociologia promoveria a reconciliação entre a “ordem” e o “progresso”, pregando a necessidade mútua desses dois elementos para a nova sociedade. Durkheim (1858-1917) tinha na questão da ordem social uma grande preocupação e procurou estabelecer o objeto de estudo da sociologia e seu método de investigação. Foi o responsável pela introdução da Sociologia na Universidade e foi o primeiro a estudar o suicídio, por exemplo; não desconhecia as ideias socialistas e discordava delas, por isso, sua obra procurava fornecer respostas às formulações socialistas (que apontava as mazelas sociais como resultado do modo de produção capitalista). Para Durkheim a fonte dos problemas era a fragilidade da moral em orientar adequadamente o comportamento dos indivíduos. Dedicou-se, então, em desenvolver um método de investigação que tivesse como foco os fatos sociais - que seriam exteriores e coercitivos, já que quando nasce, o indivíduo já encontra a sociedade formada criada pelas gerações passadas, cuja organização deverá ser transmitida às gerações futuras através da educação - a influência de seu pensamento é verificada na Antropologia, com o método funcionalista. Em nossa bandeira está escrito: Ordem e Progresso, um dos lemas do Positivismo.
O pensamento sociológico crítico tem como origem a tradição socialista. Seus maiores representantes são K. Marx (1818-1883) e F. Engels (1820-1903), que, diferentemente de Durkheim e Comte, não estavam preocupados em fundar a Sociologia como disciplina, mas em construir a rede de relações entre as disciplinas como antropologia, ciência política, economia a fim de explicar a sociedade de forma global. Foram influenciados pelo socialismo utópico, a dialética e a economia política e, apesar de apontar a relevância do pensamento europeu que os antecedeu, Marx e Engels ressaltavam que aos socialistas utópicos faltava consistência teórica e efetividade prática; consideravam as idéias de Hegel como idealista.
Max Weber tinha a intenção de conferir à Sociologia uma reputação científica, distinguindo o conhecimento científico dos julgamentos de valor sobre a realidade, afirmando a neutralidade científica em seu livro Ciência e política: dias vocações. O cientista é um homem do saber, das análises frias e penetrantes, o político é o homem de ação e de decisão comprometido com as questões práticas da vida. Weber, entretanto, foi muito criticado por tal posicionamento, pois é impossível separar a subjetividade do sujeito de suas ações. Em Weber, o indivíduo e a sua ação são o ponto de partida para se compreender a ação dos indivíduos e não a análise das “instituições sociais” ou do “grupo social”, como afirma o pensamento positivista (conservador).

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